Jogos Olimpicos de Pequim - Resumo final da participação brasileira




Neste domingo terminou mais uma olímpiada, a 26ª edição do jogos terminou com o Brasil ficando em 23º lugar, com 3 ouros, 4 pratas e 8 bonzes, totalizando 15 medalhas. Ficamos a frente de Cuba, Republica Tcheca, México, Dinamarca, Nova Zelandia e Argentina. Porém atrás de Etiopia, Jamaica, Quenia, Bielorrussia e Canada.





Nossos medalhistas de ouro doram Cesar Ciello na natação, 50 metros livres, o que representou uma medalha inédita de ouro neste esporte. Maurren Maggi, no salto em distância, com a marca de 7 m e 4 cm, venceu a concorrente russa por apenas 1 centimetro. Foi outra medalha de ouro inédita para o atletismo feminino do Brasil, e a terceira medalha de ouro veio com a seleção feminina de volei, após vencer as americanas na final por 3x1 sets. Esta medalha já estáva faltando a muito tempo para esta seleção, que nas ultimas olimpiadas não conseguia passar das semi-finais!







Se analisarmos por estes três resultados constataremos que melhorou muito o esporte no Brasil, principalmente o individual, porém não podemos desprezar o fraco desempenho de nossos atletas favoritos. A seleção de futebol, comandada do Ronaldinho Gaucho, era uma esperança certa para o ouro, mas não fêz frente a Argentina na semi-final, sendo goleada por 3x0, e apenas conseguiu o bronze sobre a Belgica aplicando os mesmos 3x0.

O volei masculino também nos frustrou nesta madrugada. Enfrentando os EUA, que já haviam tirado o Brasil da final da liga em pleno territória nacional, a equipe americana se mostrou muito mais consistente e errou bem menos, acabando por vencer o Brasil por 3x1. O que vimos em quadra parece ser um desgaste da melhor seleção de volei que já existiu. O futuro desta seleção é preocupante, e esperaremos pela renovação.


No volei de praia tinhamos grandes chances, já que nossas duplas estão sempre disputando podium nas competições que participam. As mulheres pegaram na semi-final a dupla americana mais forte do mundo, e deu a lógica. Acabamos ficando sem o bronze, pois na decisão do terceiro lugar as chinesas, donas da casa, não deram espaço para a dupla brasileira.


No masculino a esperança tinha nome certo: Ricardo e Emanuel. Mas na semi-final eles foram superados pela segunda dupla brasileira, que ainda carece de experiencia. Acabaram ficando com o bronze. Já a segunda dupla formada por Marcio e Fabio Luiz, foram batidos pelos americanos Rogers e Dalhausser, e ficaram com a prata.

Voltando ao atletismo, tivemos as decepções de Jadel Gregório no salto triplo, a situação inusitada da vara de Fabiana Murer, que perdeu o equipamento na final da competição, o que acabou por lhe tirar a atenção, e por conseguinte ficar fora do podium.

Na vela o ouro não veio, apesar de Robert Scheidt ter ficado com a prata, e uma dupla feminina ganhando a primeira medalha para as mulheres nesta categoria, ficaram com o bronze. Mesmo com estas duas medalhas a vela decepcionou pois sempre tivemos tradição neste esporte.

No judô a decepção foi maior, pois apenas conseguimos três medalhas de bronze. Nossos dois atletas campeões mundiais decepcionaram, e o gaucho João Derli perdeu em sua luta de estreia, e nem a repescagem conseguiu.

Talvez alguns considerem que o maior fracasso brasileiro tenha sido na ginastica artistica, pois durante o periodo em que separou a ultima olimpiada, realizada em Atenas, para este em Pequim, nos acostumamos a ver Jade Barbosa, Danielle Hypolito e Diego Hypolito e Daiane dos Santos estarem sempre nos podiuns dos mundiais, e não raro com medalhas de ouro. Porém todos acabaram errando nas finais individuais, e ficaram longe do podium olimpico.



Nos demais esportes a sina brasileira continuou. Perdemos classificações por detalhe no handball feminino. Fomos desclassificados na primeira fase do basquete feminino. E nas provas de maratona ficamos muito longe das primeiras posições. Após a cerimonia de encerramento dos jogos, o nosso presidente Carlos Arthur Nuzman do COB, declarou que esta fora a melhor participação brasileira em olimpiadas, enaltecendo o grande avanço do esporte no país. Abrirei um parenteses a essa declaração no próximo paragrafo! Ele considerou como excelente o Brasil ter ganho três medalhas inéditas, e de ter participado de 36 finais, contra apenas 30 em Atenas.

Abrindo parenteses, ou melhor, dois pontos: Não sei como é a escolha de um presidente de um Comite Olimpico como o do Brasil. Não sei se é por apadrinhamento, ou por concurso publico, ou por par ou impar. Só sei que não é por competencia, já que o unico a ver uma melhora no esporte brasileiro é o atual presidente. Até aquele vivente mais grosso lá das bandas de Canguçu viu que o Brasil teve uma péssima participação, considerando o numero recorde de atletas que foram para a China.

Este mesmo presidente afirmou que estamos evoluindo, e que vamos fazer frente as demais delegações no futuro. Pois olhem, se continuar a evolução no ritmo que este senhor acredita, seremos pareos para os americanos, por exemplo, lá pelo ano de 2468, numa provavel sede dos jogos em Rolante, cidadezinha bem simpatica do interior gaucho.

Exitem varias causas para o péssimo rendimento esportivo de nossos atletas. Talvez o discurso de "coitadismo" já não esteja mais fazendo efeito. Temos problemas sérios institucionais sobre o esporte. Não existe projetos para o esporte na pré-escola, assim como não existe nenhum plano governamental em ampliar os centros esportivos e assim dar condições para os jovens ingressarem no esporte. Os politicos insistem em dizer que há sim investimentos nesta area, porém qualquer cidadão brasileiro consciente de sua saude mental não pensa como estes senhores que vivem num mundo alado ao nosso.

As empresas governamentais como Petrobras, Correios, Caixa e Banco do Brasil apenas patrocinam os atletas já formados, e que por ventura demonstrem resultados. Isso não é investimento, isso é apenas uma obrigação para com aqueles que de certa maneira abdicaram de muitas coisas em nome do esporte.

A infra estrutura esportiva brasileira é ínfima, beira ao ridiculo se comparada com qualquer país que leve o esporte a sério. Pegamos Cuba, uma ilha no caribe, comunista, sem dinheiro, sem recursos, mas que sabem muito bem planejar seus centros esportivos.

Tenho vergonha de ler noticias sobre a candidatura brasileira aos jogos de 2016. E fico mais envergonhado vendo o apoio da midia para esta causa. Não é que sou antipatriotico, mas sou realista. O Brasil precisa antes de ser sede de jogos olimpicos, ser uma referencia no esporte. Precisa de centros de treinamento para jovens. Precisa de competições de alto nível em todo o território nacional, e não apenas em duas ou três cidades. Precisa investir maciçamente em educação, e precisa fazer isso com vontade de querer mudar, mas vontade com espirito esportivo, e não a vontade de espirito politico que polui a mente de nossas autoridades.

Está aí o meu recado. Minha visão sobre os jogos e algumas criticas. Espero que todos que lerem essa materia possam formar sua propria opinião a respeito.


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